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12 perguntas e respostas sobre bullying – Conteúdo completo

Parece brincadeira, mas não é. Tire suas dúvidas e saiba como colaborar para enfrentar essa violência
  • Por Loyola
  • 06 abril 2017

Introdução:

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Parece brincadeira, mas não é. Tire suas dúvidas e saiba como colaborar para enfrentar essa violência
_____

Você sabia que 41,6% das vítimas de bullying nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas? Na semana que marca o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, trazemos 12 perguntas e respostas que podem ajudar a prevenir e enfrentar esse problema.

1. O que é? 

Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

“É uma das formas de violência que mais cresce no mundo”, afirma Cléo Fante, educadora e autora do livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz [224 páginas, Ed. Verus, tel. (19) 4009-6868]. Segundo a especialista, o bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.

Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por essa situação podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade.

2. O que não é? 

Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Para que seja bullying, é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas de classe ou de trabalho, por exemplo). Todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como bullying.

Para Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),  a concordância do alvo com relação à ofensa pode intensificar o problema:  ”Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele reage ou ignora, desmotivando a ação do autor”, explica a especialista.

3. Existe uma lei brasileira que caracterize o bullying?

Sim, a Lei nº 13185, de 6 de novembro de 2015 , que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território nacional e diz que: “Considera-se bullying todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais

pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. ” (Art. 1º § 1º).

A lei caracteriza o bullying das seguintes formas:

I – ataques físicos;

II – insultos pessoais;

III – comentários sistemáticos e apelidos pejorativos;

IV – ameaças por quaisquer meios;

V – grafites depreciativos;

VI – expressões preconceituosas;

VII – isolamento social consciente e premeditado;

VIII – pilhérias*.
(Art. 2º)

*piada ofensiva, zombaria.

4. O bullying é um fenômeno recente?

Não. O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a relacionar a palavra a um fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega, no fim da década de 1970. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater.

A popularidade do fenômeno cresceu com a influência dos meios eletrônicos, como a internet e as reportagens na televisão, pois os apelidos pejorativos e as brincadeiras ofensivas foram tomando proporções maiores. “O fato de ter consequências trágicas – como mortes e suicídios – e a impunidade proporcionaram a necessidade de se discutir de forma mais séria o tema”, aponta Guilherme Schelb, procurador da República e autor do livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil (164 págs., Thesaurus Editora tel. (61) 3344-3738).

5. O espectador também participa do bullying?

Sim. É comum pensar que há apenas dois envolvidos: o autor e o alvo. Mas os especialistas alertam para esse terceiro personagem responsável pela continuidade do conflito. O espectador típico é uma testemunha dos fatos, pois não sai em defesa da vítima nem se junta aos autores. Quando recebe uma mensagem, não repassa. Essa atitude passiva pode ocorrer por medo de também ser alvo de ataques ou por falta de iniciativa para tomar partido.

Também são considerados espectadores os que atuam como plateia ativa ou como torcida, reforçando a agressão, rindo ou dizendo palavras de incentivo. Eles retransmitem imagens ou fofocas. Geralmente, estão acostumados com a prática, encarando-a como natural dentro do ambiente escolar. ”O espectador se fecha aos relacionamentos, se exclui porque acha que pode sofrer também no futuro. Se for pela internet, por exemplo, ele ‘apenas’ repassa a informação. Mas isso o torna um coautor”, explica a pesquisadora Cléo Fante, educadora e autora do livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz (224 págs., Ed. Verus, tel. (19) 4009-6868).

6. Como identificar o alvo do bullying?

O alvo costuma ser uma criança ou um jovem com baixa autoestima e retraído tanto na escola quanto no lar. ”Por essas características, dificilmente consegue reagir”, afirma o pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). Aí é que entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno procura ajuda, a tendência é que a provocação cesse.

Além dos traços psicológicos, os alvos desse tipo de violência costumam apresentar particularidades físicas. As agressões podem ainda abordar aspectos culturais, étnicos e religiosos. “Também pode ocorrer com um novato ou com uma menina bonita, que acaba sendo perseguida pelas colegas”, exemplifica Guilherme Schelb, procurador da República e autor do livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil (164 págs., Thesaurus Editora tel. (61) 3344-3738).

7. Quais são as consequências para o aluno que é alvo de bullying?

O aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se achar bom para integrar-se ao grupo e apresentar baixo rendimento. Uma pesquisa da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (ABRAPIA) revela que 41,6% das vítimas nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas.

As vítimas chegam a concordar com a agressão, de acordo com Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O discurso deles segue no seguinte sentido: “Se sou gorda, por que vou dizer o contrário?” Aqueles que conseguem reagir podem alternar momentos de ansiedade e agressividade. Para mostrar que não são covardes ou quando percebem que seus agressores ficaram impunes, os alvos podem escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.

8. O que fazer para evitar o bullying?

A ABRAPIA sugere algumas atitudes para um ambiente saudável na escola, tais como:

– conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões;

– estimular os estudantes a informar os casos;

– reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema;

– estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos;

– interferir, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.

9. Como enfrentar o bullying?

Em nossa escola, o Coordenador de Série é responsável por acolher e encaminhar qualquer questão relacionada ao bullying. Não importa se você o procura como pai ou mãe de quem sofre ou como quem teve conhecimento de que seu filho testemunha ou pratica bullying. O aluno pode recorrer também, além do coordenador, a um professor, ao auxiliar de série ou a outro funcionário uniformizado e identificado. Os profissionais estão prontos para ajudar, e as medidas serão tomadas sem que o aluno seja exposto.

10. O que é bullying virtual ou cyberbullying?

É o bullying que ocorre através de meios eletrônicos, com mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulando por e-mails, sites, blogs (os diários virtuais), redes sociais e celulares. É quase uma extensão do que os alunos dizem e fazem na escola, mas com o agravante de que as pessoas envolvidas não estão cara a cara. Dessa forma, o anonimato pode aumentar a crueldade dos comentários e das ameaças e os efeitos podem ser tão graves ou piores. “O autor, assim como o alvo, tem dificuldade de sair de seu papel e retomar valores esquecidos ou formar novos”, explica Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Esse tormento, que é a agressão pela internet, faz com que a criança e o adolescente humilhados não se sintam mais seguros em lugar algum, em momento algum. Marcelo Coutinho, especialista no tema e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que esses estudantes não percebem as armadilhas dos relacionamentos digitais. “Para eles, é tudo real, como se fosse do jeito tradicional, tanto para fazer amigos como para comprar, aprender ou combinar um passeio.”

11. Como lidar com o cyberbullying?

O cyberbulling precisa receber o mesmo cuidado preventivo do bullying e a dimensão dos seus efeitos deve sempre ser abordada para evitar a agressão na internet. Trabalhar com a ideia de que nem sempre se consegue apagar aquilo que foi para a rede dá à turma a noção de como as piadas ou as provocações não são inofensivas. ”O que chamam de brincadeira pode destruir a vida do outro. É também responsabilidade da escola abrir espaço para discutir o fenômeno”, afirma Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Caso o bullying ocorra, é preciso deixar evidente para crianças e adolescentes que eles podem confiar nos adultos de seu convívio – em casa ou na escola – para contar sobre os casos, sem medo de represálias, punições e com a certeza de que vão encontrar ajuda. ”Muitas vezes, as crianças não recorrem aos adultos porque acham que o problema só vai piorar com a intervenção punitiva”, explica a especialista.

12. O que é Cultura de Paz?

Para ajudar a convivermos bem uns com os outros existe, no Colégio Loyola, o Núcleo de Educação Para a Paz. Ele promove atividades e ações da Cultura de Paz (ONU) e usa os Círculos Restaurativos para resolver conflitos e reconstruir as relações com a contribuição dos envolvidos. O Núcleo de Educação Para a Paz trabalha junto às coordenações pedagógicas de série. Converse com sua família para que formalize um pedido de avaliação sobre a sua necessidade junto ao Coordenador Pedagógico da Série. O bullying é tão grave que pode ser considerado crime, podendo gerar punições sérias, previstas em lei, para quem o pratica ou para sua família.

Vamos enfrentar esse problema. Respeite as diferenças e ofereça o que há de melhor em você. Um colégio sem bullying é um ambiente mais agradável para todos.

“Sua maior riqueza é compreender outras pessoas, oferecer o que se é, mais do que o que se tem.” (Características da Educação na Companhia de Jesus; C. 18. Adaptado)

______________________________________________________________________________________________________________________________________

Fonte: Associação Nova Escola e cartilha “Bullying. Parece brincadeira. Mas não é.”, produzida pelo Núcleo de Educação para a Paz do Colégio Loyola.

 

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