Como a rotina da casa ensina sobre o valor do dinheiro
Quando se fala em educação financeira para os filhos, pensamos logo em comprar um cofrinho de moedas, mas não é bem assim. O tema é, de fato, essencial para a vida deles e deve ter um ponto de partida bem cedo!
Educar significa promover possibilidades para a construção de um conhecimento significativo para a vida. É nesse sentido que a educação financeira não se restringe a um simples manual que deve ser seguido. Ela precisa promover possibilidades que se encaixem e façam parte do cotidiano das crianças e dos adolescentes. É importante que envolva atividades prazerosas e, quanto mais cedo for abordada, melhor, pois auxilia a criança e o adolescente a desenvolverem autonomia financeira, a fim de que possam ser capazes de tomar decisões financeiras mais efetivas e conscientes.
Quando iniciar esse processo de educação para as finanças?
Aprendizagem é um processo absoluto que acontece desde o começo da vida. O processo é extenso, pois envolve um conjunto de ações que interligam o cérebro – psíquico, cognitivo – e o social. Nessa perspectiva, no início da infância, quando se inicia a autonomia para comer e se vestir sozinho(a), a família pode utilizar como estratégia a própria rotina e as brincadeiras. Por exemplo, a adoção dos horários certos para comer e tomar banho pode ajudar a reduzir o desperdício de alimentos e, até mesmo, o consumo de água e energia, o que impacta, também, nas finanças familiares.
Avançando, ao longo do percurso da infância, incluir as crianças nas tarefas cotidianas, como uma ida ao supermercado, pode levar a criança a formular e explorar ideias que possam ser relevantes e que levam para um consumo mais consciente. Essa é uma excelente oportunidade para explorar a comparação entre preços de diferentes marcas e entre tipos de alimento, além da análise de promoções. Isso favorece tanto a educação financeira quanto uma alimentação mais saudável, criando o hábito de leitura dos rótulos e chamando a atenção para os vilões do momento, como os corantes e os açúcares.
Outro exemplo envolve o cuidar da casa, pois a prática de pequenas ações, como separar roupas e brinquedos para doações, comprar o que realmente for necessário, cuidar do material escolar, reutilizar certos objetos, apagar as luzes ao sair, cumprir combinados e ajudar nas tarefas da casa, também faz parte da educação financeira, além de contribuir com o cuidado com o meio ambiente.
O dinheiro nasce em árvore? O cartão de crédito compra tudo?
A imaginação vai além de como o dinheiro “nasce”, por isso o diálogo entre pais e filhos é fundamental para falar sobre o seu valor, isto é, para esclarecer que, para ter dinheiro, é necessário esforço, estudo e trabalho. Estabelecer essa relação auxilia as crianças a aprenderem como funcionam as transações financeiras e o valor das moedas e das cédulas, e a refletirem sobre a importância da Matemática nesse contexto.
Desse modo, a confiança e o planejamento na educação financeira contribuem para a autonomia da criança e do adolescente. Por exemplo, comprar o lanche na escola e fazer reservas mensais. Além disso, incluir os filhos em um planejamento de uma viagem de férias é outra forma de promover a educação financeira, pois envolve planejar e comparar os valores e o custo-benefício, bem como controlar o dinheiro reservado para a viagem.
A educação financeira é um processo contínuo que transita no ambiente familiar. Por essa razão, a família tem um papel fundamental nesse processo, pois pode proporcionar a exploração de situações práticas que podem ser articuladas às aprendizagens matemáticas escolares. Assim, família e escola se tornam aliadas na formação de cidadãos críticos e responsáveis, capazes de resolver problemas e tomar decisões mais conscientes, com hábitos mais saudáveis e com maior potencial para investir em um futuro mais seguro.
Algumas dicas de leitura que podem ajudar a pensar sobre o tema:
8 dicas para falar de educação financeira para as crianças. https://leiturinha.com.br/blog/dicas-para-falar-de-educacao-financeira/. Acesso em: 08 mar. 2026.
MOTA, Tatiane P. S. Ressignificando as aulas de Matemática com metodologias ativas para o estudo de áreas de figuras planas no ensino remoto. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas, Belo Horizonte, 2021. http://www.biblioteca.pucminas.br/teses/Ensino_TatianePertenceDaSilvaMota_18976.pdf. Acesso em: 14 ago. 2021.
O papel da família na educação financeira de crianças de diferentes idades. https://www.ceres.org.br/blog-ceres/o-papel-da-familia-na-educacao-financeira-de-criancas-de-diferentes-idades-2/. Acesso em: 08 mar. 2026.
* Tatiane Pertence da Silva Mota é Professora do Colégio Loyola e Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Educação da PUC Minas.
Artigo publicado na nossa coluna do portal Estado de Minas.