Para onde vão as imagens que vemos? Será que a memória humana é capaz de armazenar tudo o que passa diante dos nossos olhos? Mesmo que as cenas cotidianas não permaneçam eternas na memória, talvez fragmentos da realidade ocupem algum lugar no inconsciente. Revisitar esses vestígios faz parte do processo criativo de Fábio Couri. Em suas telas, o artista belo-horizontino permite que as manchas de tinta tragam imagens alusivas a acontecimentos corriqueiros.
Um dia comum – como o de um andarilho que transita pelas ruas da cidade entre desconhecidos – torna-se pintura. A imagem é imprecisa, com contornos pouco nítidos. As linhas demarcam apenas o essencial. A tinta, aplicada em camadas, escorre livremente pela superfície da tela. Aguadas se misturam a texturas espatuladas e pinceladas densas. Cinzas enegrecidos contrastam com amarelos luminosos e azuis etéreos. Ocres, violetas e vermelhos ocupam, pouco a pouco, o espaço em branco. Gestos dinâmicos dos pincéis orquestram o ritmo do pensamento intuitivo. Quadro a quadro, uma narrativa se forma e se conecta ao observador.
Amanhece. Pessoas dentro e fora das casas. Chove. Reflexos. Verão, outono, inverno, primavera. Cidades Vazias. Observo. E o pássaro continua na sala.
Na exposição “Percepções de um andarilho”, os títulos das pinturas são pistas para decifrarmos o inventário de memórias do artista através das lentes das nossas próprias vivências. E ainda, quem sabe, inventar histórias que ampliem a poética apresentada. Afinal, arte contemporânea é um território sem limites.
Amanda Lopes
Curadora
jul./2026

SOBRE O ARTISTA
Fábio Couri é natural de Belo Horizonte, Minas Gerais. Graduou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1998, e em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Metodista Izabela Hendrix, em 2006. Atualmente, desenvolve sua pesquisa artística no Atelier Sandra Bianchi.




















